Guardar a quantos graus, afinal?

É um dia típico de verão. No meio de fevereiro. O céu permaneceu nublado aqui em Maringá, amenizando a sensação térmica dos 33 graus centigrados registrados durante todo o dia. Ainda agora, as 22h30, consigo obter 29.4 no meu quarto com o aparelho de ar condicionado ligado há duas horas. Sem ele, estaria acima dos 30ºC. Aqui. Na sombra. À noite. Durante o dia, é comum a temperatura ultrapassar 34ºC no verão.

Neste momento minha insulina está guardada em uma gaveta da geladeira, na cozinha, onde um termômetro digital marca 9.8ºC, lá no compartimento onde fica, um pote de plástico bem fechado desses tipo Tupperware.

Eu uso dois tipos de insulina, diariamente: a N e a R, na proporção de 70 – 30%, aproximadamente, a cada 12 horas. O governo as distribui gratuitamente em frascos de 10ml, que posso retirar no posto de saúde do meu bairro ou comprar na farmácia mais próxima (que tenha refrigerador para estocar esses medicamentos) ou ainda retirar gratuitamente nas farmácias populares.

Há duas principais marcas de insulina no mercado, dessas que uso (R e N em frasco de 10ml para aplicação com seringa). A  marca A recomenda que fique guardada entre 2 e 8 graus centigrados e que mesmo após iniciado o uso, seja preferencialmente armazenada sob refrigeração. Já a marca B pode permanecer fora do refrigerador entre 15 e 30 graus.

Ocorre na prática que, apesar de raro, chego a usar as duas marcas ao mesmo tempo: para não ter que sair procurando farmácia por farmácia,  acabo comprando a N de uma marca e a R de outra. Nesse caso, como armazenar?

Numa das minhas viagens a trabalho conheci uma médica endocrinologista, durante um voo, que me alertou para o fato de que as insulinas modernas agora podem permanecer na temperatura de 16 graus sem problemas, desde que não sofram grandes variações. Então resolvi conferir as bulas, cujas recomendações transcrevo abaixo:

Marca A
“Deve-se guardar o frasco em um refrigerador (2 a 8°C), mas não no congelador. Proteger da luz. Nestas condições, tem o prazo de validade de 36 meses. Não use se tiver sido congelado. Se não for possível a refrigeração, você pode manter o frasco que está sendo usado, em lugar o mais fresco possível (abaixo de 30°C), longe do calor e da luz solar direta”.

Marca B
“O prazo de validade é de 30 meses. Armazene em refrigerador (temperatura entre 2 °C e 8 °C). Mantenha longe do compartimento de resfriamento. Não congelar. Mantenha o frasco dentro da embalagem externa para protegê-lo da luz. Deve ser protegido do calor excessivo e da luz. Após o início do uso ou quando carregado como reserva: não refrigerar. Após aberto, válido por 6 semanas, sendo armazenado à temperatura ambiente entre 15 °C e 30 °C.”

Após ler as bulas, fica a dúvida: afinal, refrigerar ou não refrigerar? Manter à temperatura “ambiente” porém abaixo de 30 graus? Manter a 8 graus ou a 16 graus? Calma. Vamos manter a calma, usar o bom senso e ouvir alguns profissionais experientes da área, e veremos que algumas recomendações bastante conhecidas são boas. Como o uso de refrigeradores para armazenamento após iniciado o uso da insulina, principalmente em regiões de climas mais quentes (como é o meu caso).

A Sociedade Brasileira de Diabetes, em seu site, informa:

Armazenamento
A insulina que ainda não foi aberta deve ser guardada na geladeira entre 2 e 8ªC. Depois de aberta, pode ser deixada à temperatura ambiente (menor do que 30°C) por 30 dias, com exceção da detemir (Levemir), que pode ficar em temperatura ambiente por até 42 dias. É importante manter todos os tipos de insulina longe da luz e do calor. Descarte a insulina que ficou exposta a mais de 30°C ou congelada. Não use medicamentos após o fim da data de validade.

Para ajudá-lo a acompanhar a data, o usuário pode anotar no rótulo o dia em que abriu o frasco. Ou colocar um pedaço de esparadrapo colado com a data em que foi aberta a insulina pela primeira vez. Se você for passar um período extenso ao ar livre, em dias muito frios ou quentes, deve armazenar a insulina em um isopor bolsa térmica, podendo eventualmente conter placas de gelo, desde que este não tenha contato direto com a insulina.

Os profissionais da área de saúde recomendam guardar a insulina no refrigerador, preferencialmente na gaveta inferior. Porque recomendam guardar na gaveta da geladeira? Por se tratar do local onde é praticamente impossível o congelamento (temperatura abaixo de zero grau) e a estabilidade térmica é boa por ser um compartimento que permanece fechado mesmo quando se abre geladeira.

Após explicar para a jovem endocrinologista, que conheci no avião, que uso a insulina distribuída pelo governo (cuja bula é parecida com a marca A) ela afirmou que mesmo estas que “não dizem isso na bula” podem ser transportadas a 16 graus sem problemas.  Destacou que “devem-se evitar variações súbitas”, provável motivo pelo qual a marca B recomenda não refrigerar o produto.

O bom senso e a experiência prática mostram que é melhor manter o medicamento em temperatura controlada, seja no refrigerador ou fora dele. Dois dias após viajar com aqueles bags de isopor, minha insulina não faz mais efeito nenhum. De qualquer uma das marcas. Basta ir a São Paulo ou ao Rio ou BH e voltar, no verão. Ao fazer a mesma viagem carregando a insulina na mini geladeira, o medicamento continua funcionando sem variações perceptíveis. Até acabar. Então eu concluo: vale a pena. É muito melhor cuidar.

Como a logística do transporte é fundamental para a manutenção das temperaturas recomendadas para os diversos tipos de medicamentos que requerem temperatura controlada, o assunto é tratado pelos operadores de logística com o merecido cuidado.

Alguns deles classificam os remédios “refrigerados” em dois grupos principais, um mais sensível, que deve ser mantido entre 2 e 8 graus centigrados, e outro mais ‘tolerante’, que pode ser mantido na faixa de 8 a 28 graus. Contudo, em ambos os casos os extremos jamais, ou seja, nunca devem ser congelados – zero graus – nem ser “aquecidos” acima de 30 graus.

Pessoalmente, para qualquer tipo de insulina, prefiro manter a minha guardada abaixo de 20 graus, mesmo após iniciado o uso, seja na mini geladeira ou no refrigerador na cozinha da minha casa.

Também já notei que mesmo a insulina rápida, do tipo caneta/”penfill” (que uso para corrigir ou prevenir hiperglicemia), tem maior durabilidade se for guardada nessa mesma condição. Ultimamente tenho transportado minha insulina convencional Regular e NPH guardada na faixa de 16-18 graus, e constatei que permanecem sem nenhuma diferença em seu aspecto ou efeito.

Como vimos, além da insulina, diversos medicamentos devem ser mantidos em temperatura controlada. É o caso de produtos para intolerantes a lactose, por exemplo, assim como de certos medicamentos para prevenção a osteoporose, remédios para tratamento de câncer e também medicamentos contra a perda de imunidade, entre muitos outros.

E entre eles é possível identificar dois principais grupos de necessidades de refrigeração portátil: uma para a faixa dos oito graus e outra para a faixa dos 18ºC. Atualmente estou configurando o meu mini refrigerador para a faixa dos 18 graus.

É importante ressaltar que, por enquanto, a Minigelmed serve apenas para a parte mais quente do planeta, ou seja, a faixa mais próxima do equador, as regiões e países onde a temperatura tende a ser mais quente do que a desejável para esses medicamentos.

Para os países mais frios, a solução é um pouco mais complexa pois o equipamento deve atuar também como aquecedor para evitar temperaturas frias demais – o que é viável, mas ainda depende de pesquisas, testes e desenvolvimento .

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