Como tudo começou

Minha experiência como jornalista especializado, ao longo das últimas décadas, aliada ao gosto pela pesquisa e ao fascínio por tecnologia me conduziram ao desafio de criar e construir uma mini geladeira realmente portátil.

Minigelmed

Entendo por portátil, nesse caso, algo que continue funcionando quando eu o levo onde quer que vá. E isso eu não encontrei para comprar. Nem no Brasil nem lá fora.

Após experimentar algumas opções de “porta-insulina” disponíveis em outros países, constatei que eram ineficazes na manutenção da temperatura recomendada, especialmente em um país tropical como o Brasil, com temperaturas médias mais elevadas, mesmo na parte norte da Região Sul, onde moro.

Então decidi construir uma só para meu uso mesmo, sem maiores pretensões. Tornou-se uma espécie de hobby pesquisar sobre refrigeração, efeito Peltier, isolantes térmicos, baterias & portabilidade, densidade energética, etc. Logo vieram os testes com as primeiras células Peltier, e vi que seria possível, mas não sabia exatamente como.

No caminho encontrei parceiros importantes que colaboraram nas etapas do processo de criação e produção das partes, como desenvolvimento circuito eletrônico, montagem e confecção de cases, placas, bem como aquisição de componentes desde baterias a indicadores de carga, PCB (circuito de proteção de baterias), dissipadores, isolamento térmico e micro ventiladores, entre outros.

É até engraçado lembrar. Houve quatro versões principais. O primeiro modelo foi feito de forma tão precária que no final eu não sabia como fazer para carregá-lo, pois não havia como afixar uma alça ou bolsa para levá-lo. Minha irmã Suely costurou um suporte de pano que usei apenas uma vez e com certo constrangimento, tão amadora que ficou parecendo a gambiarra toda.

O segundo ficou um pouco melhor, mas também era espalhafatoso: tinha um cooler de 8 cm de diâmetro rodando na parte superior, que possuía uma espécie de arco usado para engate da alça de transporte e que também servia de proteção para o cooler. Assim como o primeiro, apresentava super aquecimento de algumas partes de sua eletrônica, o que eu tentava minimizar com dissipadores externos. Mas eles acabavam me queimando em alguns momentos das viagens, se eu descuidasse e encostasse a pele no dissipadores.

Melhor de todos até então, o terceiro foi merecedor do registro de patente como Modelo de Utilidade, solicitado em 2008. E ficou tão bom que nem tentei fazer outro por um bom tempo. Durou até 2015, nunca apresentou super aquecimento e manteve autonomia média de 8-9 horas, chegando a mais de dez horas de funcionamento repetidas vezes.

O único problema eram suas baterias, à época extremamente caras, assim como o carregador correspondente, cujos preços inviabilizaram o desenvolvimento do projeto nos anos seguintes. Era preciso uma noite inteira para recarregar as nove pilhas de sua bateria, mas no dia seguinte elas devolviam cada miliampere recebido, durante longas horas de viagem com o perfeito funcionamento do equipamento.

O comportamento das pessoas ao me ver usando a minigeladeira durante as viagens, era interessante, pois ela acabava chamando atenção. Para que chamasse menos atenção, mudei a cor do primeiro modelo, que era branca, para preta, nos modelos seguintes. O objeto preto passa despercebido, confundindo-se com máquina fotográfica, capanga, etc.

Mas ainda assim os vizinhos de assento, nos aviões e também nos ônibus sempre ficavam curiosos com o equipamento, e mais ainda quando eu explicava do que se tratava. Eram frequentes os casos de pessoas interessadas em adquiri-lo para si próprios, para parentes ou indicar para amigos portadores de diabetes ou de intolerância a lactose. Mas eu sempre tinha que declinar das possíveis encomendas, pois sabia que poucos poderiam ou estariam dispostos a pagar pelo preço que eu havia pago para poder montar aquela unidade.

O mais importante foi provar que era possível construir uma pequena geladeira efetivamente portátil e autônoma para uso pessoal em viagens de média a longa duração.

Oito anos depois, em 2016, as baterias evoluíram, as possibilidades construtivas também. Os preços de alguns componentes ainda continuam bastante altos, mas até que melhoraram. A demora para importar alguns ultrapassa a dois meses, mas é preciso ter paciência.

Acredito que agora há espaço para continuar com as pesquisas e o desenvolvimento da Minigelmed.

Por exemplo, a recente identificação de necessidades muito específicas me induz ao desenvolvimento de novos modelos, como a Minigelmed Desktop e a Minigelmed 16.

Ou ainda aquele outro modelo, com outro nome, que funcione também como aquecedor e seja útil para nossos amigos dos países frios. Afinal também se deve evitar o congelamento.

Anúncios